Zeebo, Ubisoft e outras empresas do ramo se instalando em território nacional e impostos muito altos. Sabe o que essas três coisas têm em comum? O Brasil. Esse país de tecnologia escassa, povo burro e impostos absurdos, está, inegavelmente, crescendo bastante na área de games.
Mas acredito eu que não é bem por aí.
Sim, pode ser inegável que o país está crescendo, mas ainda assim quase não há reconhecimento algum por parte do resto do mundo. O Zeebo, por exemplo, é um videogame produzido pela TecToy que pretende fazer com que o Brasil consiga, por fim, tomar um lugar no mercado internacional de videogames. Mas espera aí, como que vai tomar qualquer lugar sem ter qualidade alguma? Os gráficos do Zeebo são, de acordo com a TecToy, “um pouco superiores aos do PSP”, o que é no mínimo alarmante, considerando que é um console caseiro. Mas eu sei que ele não quer competir com essa geração atual de consoles. É pior ainda: ele quer competir com o PS2! É, o PlayStation 2, aquele que foi lançado há nove anos atrás. Agora tu te perguntas: “Como assim, o Zeebo quer competir com o PS2?!”, e a resposta é sim. Um videogame com gráficos piores que o PS2, o preço um pouco mais caro, e ainda que vai ser estreado mais de nove anos depois. Sou só eu que estou vendo o absurdo nisso?
Continuando sobre o PS2: ele vai começar a ser produzido em Manaus. Claro, a notícia não é nova, mas é pertinente ao assunto. Sério, essa notícia chega a ser deprimente. É um absurdo que, no Brasil, ainda seja, vendidos PS2 suficientes para que se torne viável uma fábrica tupiniquim. Não faz sentido, o videogame já deveria ter sido descontinuado a anos atrás, mas ainda é o console que mais vende no Brasil.
Claro, eu sei que o Brasil tem todo o problema dos impostos abusivos, que chegam a inflacionar mais de 250% o ramo de jogos eletrônicos. É uma coisa óbvia que nenhum país possa ter algum espaço no mercado interncional de games com esse absurdo que é. Nos Estados Unidos, por exemplo, um XBox 360 Premium custa US$300, enquanto no Brasil ele chega a custar R$2400. Um Wii, da Nintendo, que custa US$250, custa aqui R$2000. Bom, pelo menos para aliviar um pouco, perambula pelo senado o projeto de lei 300/2007, de março de 2007, que pretende diminuir em 80% os impostos sobre os videogames até 2014, 75% até 2016, e 70% até 2019 (para título de informação, essa lei é uma extensão de uma outra lei de 1991, que incluía todos os produtos tecnológicos nessa lei, menos os videogames), quando a lei será extinta. Isso, com toda a certeza, irá ajudar e muito a indústria brasileira de jogos, eu espero, e talvez conseguirá, por fim, colocar o Brasil em um patamar interessante no mercado internacional.
Enquanto essa lei não vem, temos pelo menos algumas empresas se instalando no Brasil, como a francesa Ubisoft, que pretende desenvolver games de DS aqui na pátria amada. Foi lançado finalmente, em janeiro, o primeiro jogo brasileiro para DS, chamado Musicstar: I Wanna Be a Popstar, um jogo onde tu és uma aspirante a popstar que vai atingindo o sucesso através dos anos, podendo mudar sua aparência, comprar novos instrumentos e gravar suas próprias músicas. Okays, pode ser que isso seja um passo a frente, mas não há NADA sobre o jogo em nenhum grande site de games, como o IGN.com e o GameSpot. Não achei nenhum review na internet, nem nenhuma coisa do gênero. Só o site da Overplay, empresa responsável pelo jogo.
Acho eu que, mesmo com todos esses problemas, o Brasil conseguiu evoluir um pouco, mas ainda é um país muito pouco desenvolvido para conseguir entender que videogames não são só uma perda de tempo, ou uma brincadeira de criança. Quando os brasileiros (e os políticos, principalmente) entenderem isso, aí sim o Brasil conseguirá finalmente fazer uma evolução significativa.






